Uma coisa muito feia na Copa – 2

Aaaaahhhh, bom! Quando aquele sujeito me falou sobre algo muito feio que estava programado para o estádio, na abertura da Copa (veja o texto aqui), eu não sabia o que pensar. As piores coisas passaram por minha cabeça.

Mas, chegou a hora e o jogo rolou sem nenhum episódio de terror. Então, concluí que aquela conversa sinistra ou se referia ao gol contra do Marcelo, ou ao pênalti que só o árbitro japonês viu. Menos mau.

 

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Boa Copa para todos

Hoje, daqui a poucas horas, começa a Copa do Mundo ali em Itaquera.

Eu sei que você sabe disso. Mas, escrevi porque é minha única chance de escrever essa verdade. Quando mais, não é?

Então, a minha torcida é para que transcorra tudo bem durante o evento.

Independentemente da sua posição a respeito da realização desse torneio no Brasil, desejo uma boa Copa pra nós todos!

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Uma coisa muito feia na Copa

Está havendo uma exposição sobre a Copa na estação Sé do metrô paulistano. Ela mostra as camisas que as seleções campeãs usaram nos mundiais em que saíram vitoriosas. Também mostra as camisas que o Brasil usou em cada uma das 19 copas já ocorridas.

Eu estava realmente concentrado naquelas fotos e textos quando um rapaz se aproximou de mim. Tinha por volta de vinte anos e puxou assunto:

- E aí, véi.

Como sou péssimo fisionomista, não tinha muita certeza se estava sendo abordado por alguém conhecido. Então, como sempre faço nessas ocasiões, dei corda:

- E aí. Beleza?

- Beleza. Diz aí, você vai assistir à Copa?

Não entendi exatamente qual era a pergunta. Ora, faltavam 17 dias para a Copa. Concordando ou não com ela, acho que todo mundo iria assistir. Que pergunta era aquela?

Acho que ele também percebeu sua fala como algo solto, então refinou:

- No estádio. Você vai assistir à Copa no estádio?

- Não, no estádio não.

- É, não vai não. Tá programada uma coisa muito feia pra lá.

Sorriu, virou as costas e sumiu na estação.

Não pude perceber que grau de veracidade havia naquele aviso. Nem que tipo de aviso era. Ameaça? Uma dica camarada? E o que eu deveria fazer com essa informação? Relatei essa conversa para um amigo meu que é oficial da Polícia Militar e também resolvi publicar aqui.

Pelo sim, pelo não, fica a dica.

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Suzy again

Muito bom reencontrar Suzy Rêgo na TV. Depois de Paixões Proibidas, novela coproduzida pela Band e a portuguesa RTP, em 2007, ela só veio aparecer no ano passado em Morde e Assopra e agora em Amor Eterno Amor, ambas da Globo.

Além de TV e teatro, vira e mexe torna-se garota propaganda que, creio eu, só faz aumentar as vendas daquilo que anuncia.

Apesar de ser carioca, venceu o concurso Miss Pernambuco e ficou em segundo lugar no Miss Brasil de 1984. Hoje é casada com o ator Fernando Vieira, com quem tem uma dupla de gêmeos.

Mas, minha ideia aqui não é fazer um resumo do resumo da biografia dela.  Quero mostrar que não são só o talento e a beleza que chamam a atenção nessa mulher. Ela sempre se apresentou de bem com a vida, revelando-se uma pessoa muito divertida. Quer um exemplo?

Em sua juventude, namorou o ator Paulo César Grande até que, sabe Deus por quê, romperam o namoro. Alguém da imprensa um dia quis saber o motivo da separação, ao que ela respondeu brincalhona:

“Terminamos porque, se me casasse com ele, adivinha como seria meu nome: Suzy Rêgo Grande”.

Ela é ótima!

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Historinha hindu

Essa eu li há muitos anos numa revista. O nome dessa revista já não me lembro, e acho que lá não constava o nome do autor. Mas, pelo visto, ele tinha uma visão parecida com a minha a respeito das religiões em geral. A historinha é mais ou menos assim:

Um homem estava numa esquina conversando com o diabo quando por eles passa um senhor velho carregando um saco às costas. O saco estava meio puído e, por um furinho, caiu no chão um punhado de verdades.

Observando a cena, o homem pergunta ao diabo:

- Isso não te preocupa?

- O quê?

- Esse pouquinho de verdades que o aquele velho deixou cair. A próxima pessoa que passar vai encontrar essas verdades e vai, então, descobrir que você não existe.

O diabo sorriu, malicioso e bonachão:

- Ora, tudo o que um homem pode fazer com um pouquinho de verdade é fundar uma religião.

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Eu não sei andar de bicicleta

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Incertezas

Num texto tanto envolvente quanto contagiante, Carlos Drummond de Andrade fala-nos sobre o medo. O medo decorrente das incertezas, característica da virada da década de 30 para a de 40. No plano externo, vivemos a Segunda Grande Guerra Mundial, com nações invadidas, religiões perseguidas e vidas desconsideradas.

No plano interno, convivemos com as indefinições ideológicas e políticas do governo Getúlio Vargas que, ora flertava com as forças do Eixo, ora dava as mãos aos Aliados.

A vida cotidiana sofre uma espécie de estanque, uma parada repentina, entra num período em que “provisoriamente, não cantaremos o amor”. E a despeito de o poeta saber que se trata de uma fase provisória, ele a percebe inundada pelo medo. Um medo que parece extrapolar quaisquer limites, pois é encontrado nas mães, nos sertões, enfim em tudo e em todos.

Para nos dar a dimensão desejada, Drummond usa doze vezes a palavra medo, num poema de apenas onze versos. Contrapondo com uma única citação da dicotomia amor – ódio, provoca a perfeita sensação de um temor cada vez mais crescente ao empregar o termo de maneira mais densamente repetida a partir do sexto verso.

Modernista que era, se utiliza de versos livres, desprovidos, portanto, de rima e métrica. Esse formato parece bastante adequado para reforçar a ideia de indefinições no cenário medonho apresentado no texto.

Se para o autor parece claro tratar-se de apenas um período histórico – por isso mesmo provisório, em nenhum momento ele se refere ao vislumbre de um prazo para que tudo se normalize. Por isso, o recurso de usar a primeira pessoa do plural pode ser uma referência ao poeta e nós, leitores de qualquer época, considerando-se que o tal estado de coisas alcance nosso tempo.

Por outro lado, também podemos compreender o uso do pronome nós como referência ao poeta e às pessoas do tempo textual, dando a entender que o conflito possa vir como coisa do passado. Essas possibilidades podem reafirmar ainda mais a noção de incertezas. As mesmas incertezas de um congresso em que as nações deliberassem pelo estabelecimento do medo.

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Vilanias

Talvez seja um traço da minha personalidade, dirão alguns psicólogos. Mas se há um tipo de personagem que prende minha atenção na literatura, cinema e TV são os vilões. Às vezes, é por eles que eu torço. Mas gosto mesmo de reparar nas diferentes formas de se constituir um bom vilão. Não quero falar daqueles tradicionais que, para pegar esse ou aquele bom sujeito, dedicam toda sua vida, tipo Dick Vigarista. Há traços mais interessantes para se observar. Para começar, eles não precisam sequer ser humanos nem personificados.

Repare, por exemplo, no romance Dom Casmurro. O grande algoz do protagonista é ele mesmo, são suas incertezas, é o seu ciúme que constantemente lhe traveste meros indícios de adultério em verdades incontestáveis.

Que tipo de vilão há em Morte e Vida Severina? A própria vida severina do sertanejo esquecido e, quando não, manipulado, que acaba por enxergar na morte, também severina, um alento e uma bênção.

Fernão Capelo Gaivota travou um embate com as limitações próprias das aves de sua espécie. A vilania, nesse caso, dividia espaço com a convicção e o inconformismo num constante conflito interno.

Mas também temos Maquiavel. O Príncipe não nos apresenta exatamente um antagonista. Maquiavel é o antagonista que, felizmente, joga no nosso time. Ele nos ensina como conquistar, usurpar e destruir outros povos. Esse é dos bons.

E quanto àqueles demônios em forma de gente? No cinema proliferaram às dúzias. Lembra do inimigo de Kevin Costner em Waterworld? E dos do Batman e Superman? O traço mais notável neles é o excelente senso de humor. Muito bom. Fazem malvadeza com humor. Dariam ótimos parlamentares…

No âmbito da TV, não tem como escapar. Os grandes vilões estão nas novelas. Já não tenho paciência para assistir às atuais, mas trago na memória alguns personagens que, divinamente, eram do mal. Existem coisas boas para além de Nazaré Tedesco e Odete Roitman. A minha favorita foi a Senhorita Cristina. Linda, elegante e ruim como ela só, queria porque queria pegar o pobre plantador de rosas em Alma Gêmea. Torci muito para que ela esquecesse aquele infeliz e resolvesse me sequestrar. Seria a glória. Pelo menos para mim.

Agora, o vilão dos vilões, sem dúvida nenhuma, foi o Barão de Araruna. Não tem pra ninguém, na TV ele é o melhor (no caso, o pior). Porque além de fazer ruindades impensáveis contra seus escravos, contra a Sinhá Moça e contra todos os que orbitavam em seu redor, ele espinafrava os outros como ninguém. Era esculhambação atrás de esculhambação para cima de quem tivesse o dissabor de cruzar seu caminho.

Brincadeiras à parte, na vida, como na ficção, nossos fantasmas podem estar à espreita, nos observando, prontos para dar o bote. E podem estar sob qualquer forma, em qualquer lugar e momento. Podem até mesmo nem ter forma, como vimos. O que importa, talvez, seja estarmos atentos, sem paranoia, mas prontos para reconhecê-los e agirmos.

E então, quem são seus vilões?

 

Obras citadas:

Dom Casmurro, romance de Machado de Assis.
Morte e Vida Severina, auto de João Cabral de Melo Neto.
Fernão Capelo Gaivota, livro de Richard Bach.
O Príncipe, a obra mais famosa de Nicolau Maquiavel.
Waterworld (1995), filme realizado, produzido e estrelado por Kevin Costner.
Vale Tudo (1988), Senhora do Destino (2004), Alma Gêmea (2005) e Sinhá Moça (2006) são novelas produzidas pela Rede Globo.

Baixe aqui um exemplar de Dom Casmurro.

Assista aqui Morte e Vida Severina em desenho animado.

E, aqui, baixe O Príncipe.

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Apaixonado

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Deus e a Natureza, na visão de Espinosa

Baruch Spinoza, ou Benedito Espinosa, foi um filósofo holandês do século 17. Ficou conhecido não só por seu livro Ética, obra-prima publicada postumamente. Seu pensamento racionalista lhe rendeu fama e dificuldades com a odiosa Inquisição, resultando em sua excomunhão, sob acusação de heresia, é claro.

Por que estou falando dele hoje? Porque recebi um e-mail – desses que se deixa para ler numa pausa para reflexão – que me trouxe uma enorme identificação com a visão que o polêmico filósofo tinha a respeito de Deus e da Natureza.

Eu não conhecia esse texto e pesquisando sobre a fonte dele, não tive sucesso. Não sei de que livro ele foi extraído. Entretanto, fiquei surpreso – e também otimista – ao descobrir dezenas de blogs e sites diversos que o publicaram. Mesmo assim, vou publicá-lo aqui também. Afinal, essas ideias não são, sob qualquer aspecto, ideias caducas.

Com vocês, Deus e a Natureza, na visão de Espinosa:

“Para de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que eu fiz para ti.

Para de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Para de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho… Não me encontrarás em nenhum livro!

Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Para de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se eu te fiz…

Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.

E se houver, tem certeza que eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Para de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Para de louvar-me! Que tipo de deus ególatra tu acreditas que eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações?

Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro… aí é que estou, batendo em ti.”

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